A airfryer virou item obrigatório na cozinha de milhões de brasileiros, mas junto com a praticidade vem uma dúvida recorrente: será que esse aparelho está pesando na conta de luz? A potência elevada, geralmente acima de 1.200 watts, assusta quem olha apenas o número sem entender como ele se traduz em consumo real.
Este artigo faz as contas com base em valores reais de tarifa e potência, compara a airfryer com outros eletrodomésticos do dia a dia, e explica o que realmente influencia o consumo.
Como calcular o consumo da airfryer
O cálculo de consumo elétrico de qualquer aparelho segue uma fórmula simples: potência em watts dividida por 1.000, multiplicada pelo tempo de uso em horas, resulta no consumo em quilowatt-hora (kWh). Esse valor multiplicado pela tarifa de energia da sua região dá o custo em reais.
A maioria das airfryers vendidas no Brasil tem potência entre 1.200 e 2.000 watts. Para o exemplo mais comum, uma airfryer de 1.500 watts usada por 30 minutos consome 0,75 kWh por uso. Com a tarifa residencial média do país em torno de R$ 0,95 por kWh, isso representa aproximadamente R$ 0,71 por uso de 30 minutos.
Quanto custa usar todos os dias
Se você usa a airfryer por 30 minutos todos os dias do mês, o consumo mensal fica em torno de 22,5 kWh. Multiplicando pela tarifa média, o custo mensal estimado fica entre R$ 20 e R$ 30, dependendo da tarifa local e da bandeira tarifária vigente no momento.
Para quem usa com menos frequência, por exemplo três vezes por semana durante 30 minutos, o consumo mensal cai para cerca de 13,5 kWh, resultando em um custo aproximado de R$ 10 a R$ 13 por mês.
É importante destacar que esses cálculos representam o consumo teórico considerando o aparelho funcionando na potência máxima durante todo o tempo. Na prática, a airfryer não mantém a resistência ligada o tempo todo: ela liga e desliga automaticamente para manter a temperatura programada, em um processo chamado de ciclagem térmica. Isso significa que o consumo real costuma ser um pouco menor do que o calculado pela potência nominal.
Comparando com outros eletrodomésticos da casa
Para entender se R$ 20 a R$ 30 por mês é muito ou pouco, vale comparar com outros aparelhos de uso diário.
O chuveiro elétrico, vilão clássico da conta de luz, tem potência típica de 5.500 watts. Usado por apenas 15 minutos diários, consome cerca de 41 kWh por mês, quase o dobro do consumo de uma airfryer usada por 30 minutos diários.
Uma geladeira frost free convencional consome entre 30 e 65 kWh por mês, dependendo da capacidade e da eficiência energética do modelo, valor que pode superar facilmente o consumo da airfryer mesmo com uso diário.
O forno elétrico convencional, com potência geralmente entre 2.000 e 2.500 watts, consome mais do que a airfryer para o mesmo tempo de uso, e geralmente precisa de tempo de pré-aquecimento adicional, o que aumenta ainda mais a diferença.
Diante dessas comparações, a airfryer está longe de ser o equipamento que mais pesa na conta de luz em uma casa brasileira típica. Chuveiro elétrico, ar-condicionado e geladeira têm impacto muito maior no consumo mensal.
O que realmente faz a airfryer consumir mais do que deveria
Embora a airfryer não seja o principal vilão da conta de energia, alguns hábitos de uso podem aumentar o consumo de forma desnecessária.
Cesto subutilizado. Fazer várias fornadas pequenas em vez de uma fornada com a capacidade total do cesto multiplica o número de ciclos de aquecimento. Planejar as receitas para aproveitar a capacidade do aparelho reduz o número de vezes que a resistência precisa atingir a temperatura programada.
Abrir a airfryer com frequência. Cada vez que o cesto é aberto durante o cozimento, o ar quente escapa e o aparelho precisa gastar energia extra para recuperar a temperatura. Abrir apenas quando necessário, e de forma rápida, preserva a eficiência.
Temperatura mais alta do que o necessário. Usar temperaturas acima do recomendado para a receita não acelera proporcionalmente o cozimento, mas aumenta o consumo de energia. Seguir as temperaturas recomendadas em tabelas específicas para airfryer, geralmente mais baixas do que as do forno convencional, otimiza tanto o resultado quanto o consumo.
Pré-aquecimento desnecessário. Diferente do forno convencional, a maioria das receitas em airfryer não exige pré-aquecimento prolongado. Pré-aquecer por mais tempo do que o necessário é consumo de energia sem benefício real para o resultado final.
Manutenção inadequada. Resistências sujas com acúmulo de gordura e vedações comprometidas fazem o aparelho perder eficiência térmica, exigindo mais tempo e energia para atingir a mesma temperatura. Limpeza regular da resistência e verificação das vedações ajudam a manter o consumo dentro do esperado.
O design do cesto influencia o consumo
Modelos com tecnologia de circulação de ar mais eficiente, como o design em formato de estrela usado em algumas linhas da Philips Walita, distribuem o calor de forma mais uniforme pelo cesto. Isso significa que o alimento cozinha de forma mais homogênea em menos tempo, mesmo com potência nominal similar a modelos com design convencional.
Na prática, dois modelos com a mesma potência no rótulo podem ter consumo real diferente dependendo da eficiência do design interno. Potência alta no rótulo não é garantia de resultado melhor nem de maior consumo proporcional.
Vale a pena usar todos os dias?
Considerando os números apresentados, usar a airfryer diariamente representa um gasto mensal de R$ 20 a R$ 30, valor que para a maioria das famílias é compensado pela praticidade, pela redução no uso de óleo e pela versatilidade do aparelho para preparos rápidos.
Comparado ao custo de outras formas de preparo, como fritura tradicional com óleo (que tem custo do próprio óleo, além do consumo elétrico do fogão a gás ou elétrico) ou ao uso do forno convencional para porções pequenas, a airfryer frequentemente representa economia, não gasto extra.
Como reduzir ainda mais o consumo
Para quem quer otimizar o uso, algumas práticas simples fazem diferença ao longo do mês: planeje as refeições para usar a capacidade total do cesto em vez de múltiplas fornadas pequenas, evite abrir o aparelho repetidamente durante o cozimento, siga as temperaturas recomendadas para airfryer em vez das temperaturas do forno tradicional, e mantenha a resistência e as vedações limpas para preservar a eficiência térmica do aparelho.
Conclusão
A airfryer não é o eletrodoméstico que mais pesa na conta de luz. Usada por 30 minutos diários, o custo mensal fica entre R$ 20 e R$ 30, valor inferior ao impacto do chuveiro elétrico e comparável ou inferior ao de uma geladeira convencional. O consumo excessivo, quando ocorre, geralmente está relacionado a hábitos de uso como cesto subutilizado, abertura frequente e temperaturas mais altas do que o necessário, não ao aparelho em si. Para a maioria das famílias, o custo de energia da airfryer é plenamente compensado pela praticidade e pela redução de outros gastos associados ao preparo de alimentos.