A airfryer parou de funcionar, e agora você está diante de uma dúvida clássica: pagar pelo conserto ou aproveitar a oportunidade para comprar um modelo novo? A resposta não é universal, mas existe uma lógica clara para chegar à decisão certa sem desperdiçar dinheiro.
Este artigo apresenta os critérios objetivos que técnicos e consumidores experientes usam para tomar essa decisão, com valores de referência para os reparos mais comuns e um guia prático para cada situação.
A regra dos 50%
O critério mais usado por técnicos de eletrodomésticos e recomendado por serviços de assistência técnica no Brasil é a regra dos 50%: se o custo total do reparo ultrapassar 50% do preço de um modelo equivalente novo, a troca costuma ser mais vantajosa do que o conserto.
A lógica por trás dessa regra é simples. Um aparelho que já apresentou uma falha significativa tem maior probabilidade de apresentar outras falhas em breve, especialmente se tiver mais de dois anos de uso intenso. Pagar 60% ou 70% do valor de um aparelho novo para consertar um que pode falhar novamente em poucos meses raramente é um bom investimento.
Por outro lado, se o conserto custa 20% ou 30% do valor de uma airfryer nova equivalente, consertar é quase sempre a decisão financeiramente mais inteligente, especialmente se o aparelho for de uma marca reconhecida com peças disponíveis no mercado.
Custo dos reparos mais comuns em 2026
Para aplicar a regra dos 50%, você precisa saber quanto custam os reparos mais frequentes. Os valores abaixo refletem o mercado de assistência técnica no Brasil em 2026, considerando peça e mão de obra:
Fusível térmico queimado: entre R$ 50 e R$ 90. É o reparo mais barato e quase sempre vale a pena fazer, independentemente da marca ou do valor do aparelho. A peça custa menos de R$ 20 e a mão de obra é simples.
Microchave da gaveta com defeito: entre R$ 40 e R$ 80. Outro reparo de baixo custo que vale para praticamente qualquer modelo.
Resistência queimada: entre R$ 80 e R$ 160. Vale consertar se o aparelho for de marca reconhecida como Philips, Mondial ou Britânia. Em marcas sem nome ou modelos muito básicos, avalie com cuidado.
Termostato com defeito: entre R$ 100 e R$ 200. Depende do modelo e da disponibilidade da peça. Para aparelhos de entrada, o custo pode se aproximar do limite dos 50%.
Ventilador com defeito: entre R$ 90 e R$ 180. Reparo viável para aparelhos de qualidade. Em modelos muito baratos, o custo da peça original pode ser difícil de justificar.
Placa eletrônica (modelos digitais): entre R$ 180 e R$ 380. Este é o reparo mais caro e o que mais frequentemente não compensa. Em modelos que custam menos de R$ 400, o reparo da placa raramente é vantajoso.
Cabo de alimentação danificado: entre R$ 30 e R$ 60. Sempre vale consertar.
Quanto custa uma airfryer nova em 2026
Para aplicar a regra dos 50%, você precisa do valor de referência de um modelo equivalente novo, não necessariamente a mesma marca ou modelo, mas uma airfryer com capacidade e recursos similares ao que você tem hoje.
No mercado brasileiro em 2026, os preços se distribuem aproximadamente assim:
Modelos básicos analógicos, de 3 a 4 litros, de marcas como Mondial e Cadence, ficam entre R$ 200 e R$ 350. Modelos intermediários digitais, de 4 a 5 litros, de marcas como Britânia, Philco e Midea, ficam entre R$ 350 e R$ 600. Modelos premium, de 5 litros ou mais, de marcas como Philips e Samsung, ficam entre R$ 600 e R$ 1.200.
Com esses valores em mãos, a aplicação da regra fica direta: se você tem uma airfryer que custou R$ 300 e o conserto custa R$ 160, está pagando mais de 50% do valor de um modelo equivalente novo. Provavelmente não vale.
Outros fatores além do custo
A regra dos 50% é o critério mais importante, mas não é o único. Outros fatores merecem consideração antes de tomar a decisão final.
Idade e histórico do aparelho. Uma airfryer com menos de 18 meses de uso e que está apresentando o primeiro defeito tem uma expectativa de vida ainda longa pela frente. Vale consertar mesmo que o reparo se aproxime do limite dos 50%. Um aparelho com 3 anos e segundo ou terceiro defeito está próximo do fim da vida útil prática, mesmo que o reparo pontual seja barato.
Disponibilidade de peças. Marcas sem assistência técnica estruturada no Brasil, muito comuns em produtos importados por marketplaces, frequentemente não têm peças disponíveis ou as cobram a preços que tornam o reparo inviável. Antes de levar para consertar, verifique se a marca tem assistência técnica autorizada na sua cidade.
Garantia ativa. Se o aparelho ainda está dentro do prazo de garantia, que na maioria dos modelos nacionais é de 12 meses e em algumas marcas chega a 24 meses, o reparo é gratuito. Acione o SAC antes de qualquer outro passo. Isso vale mesmo para defeitos que pareçam óbvios de uso, pois muitos fabricantes cobrem falhas de componentes mesmo após o primeiro ano se o problema for de fabricação.
Valor sentimental ou prático do modelo específico. Alguns modelos descontinuados tinham recursos que os equivalentes atuais não têm, como capacidades maiores, funções específicas ou acessórios que não são mais fabricados. Se o seu modelo tinha algo que você valoriza e não encontra nos modelos atuais, pode valer pagar um pouco mais pelo conserto.
Impacto ambiental. Descartar um eletrodoméstico que pode ser consertado com uma peça de R$ 15 gera lixo eletrônico desnecessário. Se o reparo for viável financeiramente, consertar é também a escolha mais sustentável.
Quando definitivamente não vale consertar
Existem situações em que a decisão de descartar o aparelho é clara, independentemente do custo do reparo:
Quando o revestimento interno apresenta descascamento visível em grande área. Fragmentos do revestimento antiaderente que se desprendem podem contaminar os alimentos, e o reparo desse tipo de dano não é viável nem seguro.
Quando o aparelho apresentou superaquecimento severo com danos visíveis ao chassis plástico externo. Deformações no corpo do aparelho indicam que outros componentes internos foram afetados pelo calor excessivo de forma que pode não ser identificável visualmente.
Quando o aparelho não tem placa de identificação legível com o modelo e a potência. Sem esses dados, a assistência técnica não consegue identificar as peças corretas, e o conserto vira um diagnóstico às cegas.
Quando a segunda ou terceira tentativa de conserto do mesmo problema não resolveu. Se o mesmo componente falhou mais de uma vez em pouco tempo, há um problema sistêmico no aparelho que o conserto pontual não vai resolver definitivamente.
O passo a passo para tomar a decisão
Passo 1. Verifique se o aparelho ainda está na garantia. Consulte a nota fiscal ou o manual. Se estiver, acione o SAC da marca antes de qualquer outra ação.
Passo 2. Pesquise o preço atual de um modelo equivalente novo. Use as lojas online para ter uma referência de mercado atualizada.
Passo 3. Leve o aparelho a uma assistência técnica para orçamento. Peça o diagnóstico e o valor separados: quanto custa a peça e quanto custa a mão de obra.
Passo 4. Aplique a regra dos 50%. Se o orçamento for menor que metade do valor do modelo equivalente novo, e o aparelho tiver menos de dois anos e estiver no primeiro defeito, conserte.
Passo 5. Se a decisão for comprar novo, considere o que você aprendeu com o aparelho anterior. Modelos com assistência técnica estruturada, peças facilmente disponíveis e boa reputação de durabilidade costumam custar um pouco mais, mas compensam no longo prazo.
Onde encontrar assistência técnica confiável
Para airfryers de marcas com presença nacional, a melhor opção é sempre a assistência técnica autorizada. Os principais fabricantes disponibilizam em seus sites uma ferramenta de busca por cidade. Philips, Mondial, Britânia e Midea têm redes de assistência bem distribuídas nas capitais e cidades de médio porte.
Para marcas menores ou importadas, lojas de conserto de eletrodomésticos gerais conseguem diagnosticar e resolver os problemas mais comuns, como fusível, resistência e microchave, mesmo sem autorização da marca. O risco é na disponibilidade de peças originais, que pode exigir adaptação com peças compatíveis.
Conclusão
A decisão entre consertar ou comprar uma airfryer nova raramente é emocional quando você tem os critérios certos. A regra dos 50%, combinada com a avaliação da idade do aparelho, da disponibilidade de peças e do histórico de defeitos, leva à decisão financeiramente mais inteligente na grande maioria dos casos. Antes de qualquer coisa, verifique a garantia: muitos consertos que custariam dinheiro são cobertos gratuitamente pelo fabricante dentro do prazo legal.